Ser Geógrafo

O conhecedor dos espaços.

Se você perguntar a um geógrafo qual é a capital do Afeganistão, quais as principais bacias hidrográficas brasileiras e quais os impactos ambientais causados pela ocupação desordenada de uma cidade, ele certamente saberá responder. Mas, ao contrário do que muitos pensam, o profissional da área de Geografia não se restringe a transmitir conhecimentos desse tipo em sala de aula. Quem optar por essa profissão pode ir muito além do quadro-negro.Segundo o professor Renato Fontes Guimarães, do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), o geógrafo pode trabalhar em três áreas – Geografia Física, Geografia Humana e Geografia Técnica. Em todas elas, é o Estado quem emprega o maior número de profissionais. Se a escolha for pela primeira, o geógrafo desenvolve projetos e pesquisas ligados a estruturas naturais como relevo, fauna, flora, clima e hidrografia. “Trabalhando em órgãos públicos, o geógrafo pode estudar os biomas terrestres, pesquisar sobre preservação ambiental – uma área em expansão – e fazer análises meteorológicas”, exemplifica Guimarães.

The Geographer, 1668-69 oil on canvas; 53×47 cm Steadelsches Kunstinstitut Frankfurt, Germany

The Geographer, 1668-69 oil on canvas; 53×47 cm Steadelsches Kunstinstitut Frankfurt, Germany

Há oportunidades de trabalho em locais como o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O profissional tem também a opção de lidar com o ramo social da ciência. Na Geografia Humana, ele estuda as relações do homem com o meio ambiente. “Com a ocupação desordenada de terras, esses profissionais são requisitados, principalmente, para planejar e ordenar os espaços”, afirma Alexandre Tofeti, graduado na UnB em 2003. O geógrafo pode, por exemplo, estudar os movimentos migratórios, o crescimento populacional, estabelecer e analisar indicadores estatísticos relativos à densidade demográfica, à expectativa de vida de uma população e outros fatores. “O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ministério das Cidades e Secretarias de Planejamento em geral são algumas opções para trabalhar”, diz.

De acordo com o professor Guimarães, a área da Geografia que mais tem crescido nos últimos anos é a de sensoriamento remoto, associada ao geoprocessamento. O campo faz parte da terceira grande área de atuação do profissional, uma espécie de Geografia Técnica. Sensoriamento remoto nada mais é do que uma cartografia moderna na qual regiões são mapeadas com auxílio de satélites e radares, sendo as amostras computadas em um banco de dados (geoprocessadas). “Os profissionais podem trabalhar em empresas de tecnologia, agências espaciais ou, até mesmo, no Ministério da Ciência e Tecnologia”, afirma professor Guimarães.

O estudante é preparado para compreender a realidade social e intervir no ordenamento do espaço, a fim de encontrar um equilíbrio entre homem e natureza. Disciplinas da Sociologia, Biologia, Antropologia, Matemática, Estatística e até mesmo da Ciência da Computação fazem parte do currículo. “Geografia é um curso de visão geral. Por essa característica, rapidamente o geógrafo passa a ocupar cargos de gerência e coordenação de equipes”, afirma professor Guimarães. Por isso, o estudante de Geografia deve, antes de tudo, ter senso crítico, boas noções de organização espacial e gostar de lidar tanto com o meio ambiente quanto com o ser humano.

Fonte: Modificado de http://www.unb.br/graduacao/cursos/sobre/geografia.php, acesso 18 de fevereiro de 2008.

63 comments

  1. Tatiane disse:

    Pois é gente! existe muitos comentarios desestimulantes para quem cursa ou quer cursar geografia.Estou no segundo periodo de licenciatura em Geografia e pretendo, quando terminar o curso de liccenciatuta,fazer bacharelado, levando-se em conta que o licenciado aproveita 70% das disciplinas no curso bacharelado.
    Mas confeço, é um curso muito puchado, pois exiije o estudos de muitas outras áreas, mas isso faz dela ainda mais magnífica!
    Ela não para no tempo, ao contrario, ela anda com a humanidade…
    No entanto, vi muitos comentarios desanimantes sobre licenciar,poxa, quem gosta da Geografia quer compartilhar seus conhecimentos com outras pessoas,e o jovens são uma oportunidade e tanto pela democracia do conhecimentos sob os espaço mundial e seu entendimento.
    Falta estímulo para ensinar viu?
    confeço que o salario não ajuda, mas…mais esímulo pelo ensinar pessoal! Abraço!

  2. carlos disse:

    bom dia!
    pessoal eu gostaria de saber, quais os tipos de pós um bacharel de geografia pode estar fazendo? eu em particular gosto de fazer trabalho em campo ja fui guia de ecoturismo valeu pessoal e gostei bastante do site .

  3. Gilda Rodrigues disse:

    Oi Carlos,
    Você pode fazer especialização em Geoprocessamento, meteorologia, Turismo, dentre outras áreas afins, pode também optar por um mestrado em Geografia, se assim desejar.

  4. carlos disse:

    bom dia Gilda Rodriguez!
    Obrigado por responder, há duvida é grande se fico na faculdade que estou de engenharia, ou vou para geografia estou começando dar aulas no estado para ter mais tempo para estudar conheço alguns professores de geografia mas eles param na pós-graduação.
    Eu tenho uma sede de conhecimento novo não quero apenas ser mais um geografo .obrigado novamente

  5. Pedro disse:

    Iniciei o curso de Geografia na UFPR este ano e estou cada dia mais assustado com o que falam do mercado de trabalho para os geografos.
    Durante este primeiro semestre gostei de todas as matérias, e estou tentando imaginar a aplicação delas num possível ambiente de trabalho. Eu percebi que Geografia é mesmo o que eu quero pra minha vida.
    O problema é com o que vou trabalhar? Quando me perguntam com o que vou trabalhar, onde vou trabalhar eu nem sei responder, eu digo essas coisas que todo mundo diz como fazer planejamento, analisar impactos ambientais etc… Mas na prática eu nem tenho idéia de como vou iniciar a profissão, leio anuncios, visito sites de concursos, estagios e etc e não encontro nada relacionado a geógrafo. Não sei o que preciso fazer para ingressar na profissão e quase todas as areas da geografia entra em conflito com um outro profissional mais especializado.
    Gostaria muito de achar um caminho para que realmente eu possa fazer tudo isso que dizem que geógrafo faz, mas nem sei como começar, e se eu não conseguir vou ter que me contentar com a licenciatura.

  6. Luana disse:

    Gosto muito de Geogarfia,mas tenho uma dúvida.Estou terminando o Ensino Médio,e quero saber se é obrigatório fazer licenciatura ou eu posso fazer somente bacharel em geografia.Me esclareçam essa dúvida,por favor.Gostei muito do site!!

  7. María Elena Iannarelli disse:

    Sou Geógrafa especializada em Sensoriamento Remoto no INPE e desejo aclarar que o Sensoriamento Remoto não é “nada mais que uma cartografia moderna”. Tem que estudar muito para trabalhar seriamente com Sensoriamento Remoto ,especialmente o orbital.

  8. Danúbia disse:

    Bom dia!
    Eu gostaria de saber quanto ganha um geógrafo que trabalha com sensoriamento, e se o salário vai de acordo com a área de atuação?

  9. Raphael disse:

    Olá Pedro, boa noite.
    Olha, essa dúvida todos os estudantes de geografia tem. Para não te desanimar, isso acontece em todas as áreas. É claro que, para algumas áreas o mercado é bem mais fechado. De antemão posso lhe adiantar que o bom profissional, seja lá em que área estiver, está bem empregado. Digo isso por experiência própria. Minha irmã é professora de geografia em escolas particulares aqui no RJ e é muito bem sucedida na carreira, digo profissionalmente/financeiramente. Meu cunhado é Geógrafo/docente em uma universidade pública aqui no RJ também. Eu, sou estudante de licenciatura ainda, no 8ª período, em geografia. A crise está pra mim também. O conselho que dou à todos é: preparem-se! Leiam bastante! Façam cursos pertinentes na sua área! Faça contatos! Façam iniciação científica (imprescindível à nossa formação). Se puder, publique! LEIAM, LEIAM E LEIAM! Eu hoje tenho a oportunidade de trabalhar com geomorfologia no laboratório do professor Guerra e estagiar no IBGE. O mercado em Geoprocessamento é muito promissor pro Geógrafo. Há problemas de currículo também das universidades. Somos mal formados, principalmente pela existência da dicotomia Geografia Física e Humana. Acho que nós perdemos espaço no mercado por negligenciar a técnica/ a matemática básica. A natureza é sistêmica mas o mercado é cartesiano, e temos que nos submeter a ele pra sobreviver, como qualquer ser humano. As críticas a esse sistema vigente (O capitalismo) devem de ser combatidas em artigos e em congressos, mas não virar as costas para o mercado. Digo isso porque vejo muitos profissionais negando o seu próprio espaço, sendo direto ou indiretamente. Estudar pro mestrado e doutorado faz-se de grande importância também. Geólogos também estão em falta no mercado, o que abre um pouco mais de espaço pra nós. Hoje eu consigo conciliar Geomorfologia com o Geoprocessamento, e espero ter prosperidade no futuro quanto aos meus estudos. LEIAM, É A DICA! Espero ter ajuda você(s) Pedro.

    Abraço.

  10. RAPHAEL disse:

    Danúbia… Sim e não!
    Trabalhar com sensoriamento requer estudar bastante, e isso inclui: Física e muita matemática, para quem quer ser um especialista na área. Que fique claro que em todas as áreas do conhecimento existem profissionais bem remunerados e mal remunerados. Isso está atrelado com o tempo que você tem de mercado, com sua experiência e dedicação à carreira, além é claro, de contatos! Então, por exemplo: Um Geógrafo, recém formado, que teve experiência em estágios com sensoriamento/geoprocessamento/fotogrametria, tá tirando um pouco mais do que o piso, que se não me engano, está por volta dos 2.500 reais, trabalhando 8hs por dia. Veja se isso atende as suas expectativas. É claro que, a tendência é aumentar seu salário com mestrado e doutorado na área. A María Elena (acima) pode me corrigir se eu estiver errado. Profissionais comno ela por exemplo, que trabalha no INPE, IBGE, EMBRAPA, FUNAI, IBAMA, MAPA, ÁREA MILITAR e etc… costumam se destacar no mercado (profissionalmente e financeiramente). Agora, o ganhar “bem”, é pessoal. Espero ter respondido sua pergunta.

  11. RICARDO DANIEL disse:

    MEUS CAROS, ESTOU NO PRIMEIRO ANO DA LICENCIATURA EM GEOGRAFIA, E GOSTARIA DE SABER QUAIS SAO AS ESPECIALIZAÇOES QUE POSSO FAZER FORA DAS SALAS DE AULA

  12. Onivaldo disse:

    Estava com vontade de fazer o curso bacharel de geografia, mas pelo o que tenho lido as vagas no mercado de trabalho são bem escassas, tenho 18 anos, estou esperando o resultado da segunda chamada do enem. Escolhe geografia poque é um mix de natureza/homem (urbano). Porém confesso que me assusta um pouco onde posso trabalhar, tenho de terminar o curso e ser mal-sucedido. Sou daqueles indecisos, e acabei optando por GEO, queria saber, pois se hoje já está tão díficil imagine daqui a quatro, cinco anos ao termino do curso… quria palavras que me descem otimismo, caso contrario desistirei do curso! obrigado

  13. Eder Mileno disse:

    Olá Onivaldo!

    A vida não é fácil para nenhum curso. Talvez você perceba isso quando entrar em uma faculdade ou mesmo quando se formar. Tem que ter muito estudo, dedicação e, sim, um pitada de sorte. Temos que ser espertos, perceber o mercado de trabalho, e correr atrás de oportunidades, ou mesmo criá-las. Tenho muitos amigos Geógrafos que trabalham e tem uma vida socegada, podem até não serem ricos, mas vivem bem. Possuem carro, casa, saem de férias esse tipo de coisa que nem todo mundo tem.

    Acho que você precisa saber se está disposto a estudar mais do que outros para conseguir ser o melhor Geógrafo, caso sim, o curso de Geografia será tão bom para você quanto outros.

    Faça o curso e decida-se. Só não demore muito.

    Abraço

    Leia outros comentários aqui, pois podem te ajudar.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*